MUSICA | Baiana System: Será que existe coisa boa no carnaval?




Será que Existe Coisa Boa no Carnaval? Sempre me pergunto... E caminhando nas estradas azuis do Facebook (Sério, essa rede social é igual aquele desenho "Caverna do Dragão" dos anos 80/90. Quero sair, mas NÃO CONSIGO! Continuando...), caminhando lá encontrei um vídeo estranho, um som quase inconfundível com tanta condutividade, com misturas em nexos musicais que em questão de desarmonia poderia ser uma bagunça, porém tem seu valor e sua vibração, o outro lado do vídeo é seu público, demonstrando comportamento não peculiar dentro de um carnaval onde se usa um carro gigante, um reinado comprado e uma anarquia controlada, porém o povo se diverte com muita porrada e alegria. SIM! Porrada e Alegria! Tu já viu isso? Não?! Então conheça a Baiana System!


Não sou muito simpática com o carnaval de Salvador Bahia, mas essa parada de Baiana System tem um jeito novo de fazer as coisas, os caras tocam um estilo novo que mistura axé, reggae, samba, rap, hip-hop, rock, eletrônico, MPB estilizado, funk e um mói de coisa dentro, enquanto seu público se comporta fazendo roda "punk", mosh, wall of death, pulando sem nexo, batendo a cabeça e lembrando o público do Rock. Bichooooo!! Estranho demais isso, um choque de cultura arretado, pensando abertamente e eletrizante ao ponto de deixar a pessoa com vontade de entrar nessa brincadeira! Depois de tudo isso, descubro na Internet que os caras vieram de um underground meio tenso, com shows quase sem ninguém e com vídeos que chegavam no máximo em 1 (um) mil visualizações, hoje eles estão tendo apoio (lógico!), porém reflito pensando: 

"Não é normal algo vir da Bahia assim. As vezes vem pronto, pré-fabricado, um pop forçado tocado mil vezes nas rádios compradas, é difícil ver algo assim subir no trio desse carnaval maquiavélico comercial."


No fim a banda tem a política (E parece que é desde o início a proposta) de não ter corda e nem abadá. Já pensou? Caraca! Contra tudo e contra todos em salvador com certeza! Não posso dizer que é um surgimento novo em relação a alvorada fênix do rock nacional, porém posso dizer que feito Chico Science & Nação Zumbi, esses baianos estão misturando os velhos para fazer acontecer o novo. 

Me empolguei com os caras mesmo sendo um estilo que gosto ter distancia, mas vou ficar atento nessa proposta pop que com certeza será comercializada pela "plinplin" brevemente.


Segue o canal dos caras para você curtir com estilo esse Carnaval: https://www.youtube.com/user/baianasystem







Esse texto estranho e desagradável foi Escrito por Jonas Pajeh!

Sou redator e escritor, tenho vários livros não publicados, dois blogs independentes, porém atualmente estou redigindo para o Canal Last Rock, dá uma olhada lá, Abraços a todos, segue link: https://www.youtube.com/user/lastrocknaoacabou



137cast #00: Que Zine é Esse?


Você sabe o que é zine? Já ouviu falar mas não entendeu muito bem o que era?

Magdiel Araujo, Camila Cerdeira (Preta, Nerd & Burning Hell), e as Fúrias Inara Régia, Laila Santanna e Morgana Boeschenstein, conversam sobre o que é o zine, suas origens, sua relação com outras mídias. e como veem os quadrinhos atualmente.





MÚSICA | BiS e seu novo album Re:STUPiD


O BiS (não conhece? Clica aqui), que desde novembro do ano passado já anunciou um novo album para esse ano chamado Re:STUPiD, já está se preparando para lança-lo.
O album só chega dia 22 de fevereiro, mas a tour já começou, e como se vê na sensacional imagem acima (sério, eu amei essa foto), o grupo já trocou o figurino, e imagino que logo saia um videoclipe também (aposto na música SAY YES).

Enquanto isso, alguns singles vem sendo disponibilizados no soundcloud, e provavelmente o album inteiro sairá por lá quando for lançado.







O grupo criado e liderado por Pour Lui havia acabado em 2014 e retornado em 2016 com uma nova formação, lançando o quarto album Brand-new Idol Society2. É um album de releituras de algumas músicas de outros albuns com algumas inéditas. Se for começar a ouvir o BiS, recomendo que comece por ele, pois as novas membras mandaram super bem (ele tá todo lá no soundcloud).
Re:STUPiD será o segundo album com Go Zeela, Aya Eightprince, Pour Lui (única membra original presente), Peri Ubu e Kika Front Frontalle.



DICA MUSICAL | Círcvlo, O Grande Babaca, TTNG, Def, e agradáveis melodias para viajar




Círcvlo

São duas faixas absurdamente fodas! Um post rock instrumental (com um pequeno texto na primeira faixa) que vai lá na porta da sua alma pedir pra entrar. A parada é suave e e grave. Aperta o play e vai ouvindo.





O Grande Babaca

Uma grande ilusão que eu tenho de vida, desde que comecei a gostar de música, é ver foto de mulher na capa de disco ou de videoclipe e achar que a banda tem vocal feminino. Isso me faz sentir um grande babaca, mas compensa se a banda que acabei de descobrir foi boa. O que aconteceu com O Grande Babaca. Uma banda que dessa vez nem bate na porta da sua alma, ela chega no coração sem pedir licença e senta no batente. Aí tem suavidade com boas bad vibes e melodias agradáveis. E vale sempre lembrar que Ansiedade Mata.





TTNG

Uma parada um tanto emo, um tanto progressiva, psicodelicamente técnica, muito bem trabalhada e construída, agradavelmente fluída que você mal percebe que o vocal não é tão bom. Tem que se ressaltar o instrumental dessas músicas, pois é algo a se prestar atenção e viajar.





Def

Eu que sempre guardo o melhor pra depois, já não posso esperar e indicar logo uma banda que se encaixa na vibe aqui já criada. O som da Def trás uma suavidade singela e uma agressividade contida dentro do exoesqueleto de nossos sentimentos.




DICA MUSICAL | Necro - Adiante


Um disco muito massa!

A banda de Maceió formada por Lillian Lessa (baixo e voz) Pedro Salvador (guitarra e voz), e Thiago Alef, lançou seu terceiro album de estúdio, chamado Adiante. O material saiu pela Abraxas, que já havia lançado alguns discos antes e promovido eventos, mas Adiante é sua estreia oficial como um selo.

Puramente rock n' roll, com psicodelia e letras poderosas cantadas em português, a Necro trás um som bem pesado e enérgico, menos sombrio que seus albuns anteriores.

Lilian, que já tocou guitarra na banda, executa muito bem o baixo, enquanto Pedro faz um excelente trabalho na guitarra com ótimos riffs, solos e distorções, tudo muito bem acompanhado da bateria. A banda está em ótima forma e fluidez.

Como disse o Pedro, “em português pudemos nos expressar melhor e, livres da responsabilidade de uma pronuncia correta do inglês, as melodias e as vozes puderam também fluir com maior consistência”

Adiante foi gravado no Estúdio Superfuzz em novembro de 2015 e produzido por Gabriel Zander.

Adiante como temática, trás da necessidade de seguir em frente mesmo enfrentando quaisquer dificuldades, imprevistos, ou limitações. Não é um disco conceitual, embora cada letra seja pensada como um universo fechado em si, através de reflexões e conjecturas sobre o EU, o Outro, dogmas, ideias e a morte; o conceito de “seguir em frente” se mostra uma espinha dorsal da lírica do disco.




Ainda não ouviu o album? Ouve e depois conta pra gente o que achou.

- Outras plataformas







NOTA: 5 Unis

DICA MUSICAL | Melinna - Enquanto Não Durmo o Dia é o Mesmo


Faz uns meses que me deparei com o incrível Pedras no Sutiã, primeiro EP da Melinna Guedes. Mas não esperava em tão pouco tempo ouvir mais um trabalho dela, que é mais incrível ainda.

Enquanto Não Durmo o Dia é o Mesmo já é algo mais conciso, com 8 faixas, e expande continuamente a proposta de seu antecessor. 
Sonoramente o album é mais próximo do som do Oldscratch (banda onde Melinna é vocal e guitarrista) por soar mais agressivo e pesado. Porem, diferente nas músicas do Oldscratch onde os temas são mais abrangentes, as músicas da Melinna também trazem algo mais profundo e pessoal. O feminismo continua presente nas composições, e de maneira forte, mas tem algo a mais, algo íntimo, com suas nuances e vivências.
(Sem contar o easter egg da Patti Smith que me fez dar um grito involuntário, pois eu amo a Patti)

Sendo uma guitarrista excepcional, Melinna segue a vibe grunge alternativa com um experimentalismo bastante favorável. As músicas são excelentes, viajantes, empolgantes, reflexivas e anestesiantes.

De tantos ótimos lançamentos musicais que tivemos durante o ano, Enquanto Não Durmo o Dia é o Mesmo é disparado o que mais me tocou e surpreendeu (seguido de ΩIII da Sara Não Tem Nome).
Um album relevante, que quebra barreiras e contribui para o nosso acervo sonoro de coisas incríveis que já ouvimos.



Ainda não ouviu o album? Ouve e depois conta pra gente o que achou.







NOTA: 5 Unis

DICA CINÉFILA | A Vida em Preto E Branco


Sabe aquelas imagens que circulam pelo facebook sugerindo você imaginar como seria se estivessem no universo da sua série favorita?
Então, imagine isso novamente. Você pode estar pensando como seria legal interagir no mundo da série junto com os personagens. Agora imagine por outro ponto. A série tem um roteiro, e tudo o que acontece está destinado a levar as coisas por um certo rumo. O que sua presença naquele mundo poderia mudar nesse rumo?
Esse é o plot do musical Teen Beach Movie, feito pela Disney em 2013. Mas não é sobre ele que quero falar. Existe outro filme, de 1998, que tem uma premissa inicial um tanto semelhante chamado Pleasantville.

Adaptado no Brasil como "A Vida em Preto E Branco", o filme começa bem Seção da Tarde, com Reese Witherspoon e Tobey Maguire interpretando um casal de irmão com personalidades opostas, e efeitos não muito bons. David é um garoto muito fã de um seriado antigo chamado Pleasantville. A série é em preto e branco e conta a pacata vida dos moradores de Pleasantville, cidade onde tudo é amigável, nada perigoso acontece, pegar na mão é o máximo que um casal faz, e todo o mais que você já conhece de clichês e hábitos conservadores, só que elevados ao patamar dos anos 50 de uma forma mais sistemática. Então David e sua irmã Jennifer acabam parando no universo da série tomando o lugar de dois personagens, com suas roupas, suas vidas e suas cores.


Voltando ao questionamento anterior, já pensou no que a sua presença dentro de uma série pode causar? Não é como viagem no tempo, onde você conhece os fatos e não quer alterar o futuro da humanidade, é algo um tanto mais complexo. Você conhece cada personagem em si, sabe suas falas, seus hábitos, suas ações, conhece as limitações daquele mundo. Nisso, Jennifer, que não conhece a série e não tá nem aí, começa as modificações, e eu não vou entrar mais em spoilers.

Apesar de ter alguns furos e não ser de fato o melhor filme que você verá  (mas é um dos melhores que eu já vi), o longa abre várias questões sobre a vida, limitações, escolhas, cultura, educação, costumes, sexismo, mudanças e várias outras coisas.
A ferida mais pressionada pelo filme é o conservadorismo. Talvez a maior mensagem passada seja se permitir a mudanças, aceitar essas mudanças, e aceitar as mudanças dos outros. Todos somos diferentes e a vida não precisa ser limitada.

Até onde estamos deixando nossa vida sem cor?





Nota: 5 Unis.


ENTREVISTA COLETIVA | Escritores


Olá! Estamos de volta com mais entrevistas, dessa vez a ultima do ano. Nesta quarta entrevista coletiva (houve três com blogs) conversaremos com três escritores sobre suas vivências, experiências e tudo mais que torna alguém um escritor.


  • Olá, tudo bem? Quem é você?

Meu nome é Irilene Stein Fraga, conhecida como Alquimica nas redes sociais. Tenho 21 anos e sou escritora.


Fábio Fernandes. Por ordem cronológica, tradutor, jornalista, escritor, professor universitário e pesquisador.


GeraldoDifícil de responder. Quem eu não sei, mas posso arriscar responder o que sou: um iludido inconformado com a realidade na qual eu vivo. Mas se te contentar, meu nome é , escritor.




Você escreve? Que legal! O que você escreve?


Irilene: Sobre o que vivo e histórias fictícias.

Fábio: Já escrevi de tudo um pouco. Comecei com poesia e peças de teatro (com direito a uma peça premiada aos 19 anos, tempos depois encenada profissionalmente). Depois parti para os contos e romances, que são basicamente ficção científica (com algumas incursões no horror e no policial).

GeraldoSim, escrevo para criar mundos. Ficcionista, mas arrisco a realidade fantástica. Gosto de romper com o cotidiano com algum tipo de evento inusitado.


O que te levou a querer escrever?

Irilene: As ideias em excesso que rondam minha cabeça. Desde criança tenho a imaginação fértil.

Fábio: Olha, faz tanto tempo que não lembro (sério). Mas lembro de ter tentado escrever um romance aos 9 anos de idade - isso em 1975, então você vai vendo a idade. Era uma história muito chinfrim sobre uma expedição interplanetária, onde os intrépidos astronautas americanos iam enfrentar o Rei de Marte. Sei que continuei escrevendo tentativas de histórias até o segundo grau, quando escrevi o primeiro romance pra valer, lá pelos 18 anos.E recebi uma carta de rejeição muito simpática do editor da Brasiliense da época, o falecido Caio Graco, que me incentivou a continuar tentando. E continuei.

GeraldoA necessidade de me terapeutizar. Vasculhar o que há dentro de mim e externar. Brincar de criador.


Como foi no começo?

Irilene: Muitas dúvidas quanto a escrita. Hoje estou mais tranquila.

Fábio: Comecei a publicar de verdade em 1987, quando me associei ao Clube de Leitores de Ficção Científica, fundado em 1985 em São Paulo. Eles publicavam (ainda publicam) um fanzine oficial da associação, o SOMNIUM, e foi ali que eu estreei, publicando contos mais ou menos até 2000 (quando publiquei minha primeira, e até agora, única coletânea de contos, Interface com o Vampiro).

GeraldoSempre senti o desejo de imaginar o mundo sob uma outra ótica. Mudar os ingredientes da vida para ver no que ia dar.


Já pensou em parar?

Irilene: Não! Amo escrever!

Fábio: Sim, várias vezes. Felizmente não me dei ouvidos.

GeraldoJamais. Sucumbiria em questão de dias.


Quais são as maiores dificuldades?

Irilene: Encontrar quem acredita no seu talento. É muito comum aparecerem pessoas que só querem te criticar de maneira destrutiva.

Fábio: Na minha opinião, basicamente duas. A interna, que é a insegurança, e a externa, que é a logística de publicação. A primeira pode ser devastadora, e me prejudicou muito. A segunda hoje em dia não é mais tão grande quanto na época em que comecei, mas ainda é um certo entrave, que pode desestimular os escritores iniciantes - se bem que, com recursos como o Wattpad, os autores pelo menos já têm um local onde podem colocar a produção e receber feedback.

GeraldoComo escritor... Escrever para um país que não lê. Para um país que não valoriza o material intelectual. Para um país que é hostil e ao mesmo tempo indiferente em relação a maioria das artes.


O que te motiva? E quais são suas inspirações?

Irilene: Os comentários positivos me motivam muito, além de saber que posso ajudar quem precisa fazendo o que gosto. Minhas inspirações são tudo o que vejo e ouço.

Fábio: Hoje o que me motiva é simplesmente gostar de escrever, sentir a necessidade de fazê-lo. Quero ser publicado, claro, mas nada se compara ao ato de escrever em si. Você se depara com a página em branco e de lá sai um mundo. Não consigo pensar em nada melhor.

GeraldoPrimeiramente, minha esposa e meus filhos são quem me incentivam todos os dias. Depois, os leitores que tenho. Estes são a motivação que preciso. Minha inspiração maior é a vida, mas sempre mudo aquilo que não gosto para dar um toque pessoal.


Qual a pior coisa de ser um escritor?

Irilene: Quando a inspiração vem em momentos inapropriados, por exemplo, no meio da noite.

Fábio: O escritor mente demais.

GeraldoA falta de recursos e de reconhecimento por parte da mídia. Como mencionei, há uma hostilidade inerente, uma vaidade corrosiva que também nos impede de prosseguir da maneira que deveríamos. Padecemos da maldição dos clássicos e dos estrangeiros. Os escritores brasileiros contemporâneos são simplesmente colocados debaixo do tapete até mesmo pelas grandes editoras que não investem no próprio produto que publicam. Deixam tudo a cargo do próprio escritor que precisa ser, além de escritor, articulador, gerenciador de estoque, marqueteiro, publicitário, vendedor e muitas vezes palhaço.


E qual a melhor coisa?

Irilene: Ver suas ideias tomando uma forma visível e palpável. Cada capítulo terminado é uma alegria.

Fábio: O escritor cria novas realidades. Para os outros e para si mesmo.

GeraldoDar vazão à criatividade e viajar nas letras. É muito bom. Sumir daqui por alguns instantes.


Como você atrai leitores? Como funciona a divulgação?

Irilene: Pelas redes sociais e, principalmente, divulgação boca a boca.

Fábio: Eu comecei a minha carreira num tempo pré-web, então não fazia divulgação, deixava para a editora. O problema é que a maioria dos meus trabalhos saiu por editoras pequenas, e acabei me dando conta de que, se não fizesse eu mesmo a divulgação, não conseguiria leitores. Quando as redes sociais começaram a surgir, eu comecei a ter uma presença bem ativa nelas - por tesão mesmo, sou apaixonado pela web, fiz disso meu objeto de pesquisa do mestrado até o pós-doc. Nunca tive página de escritor no Facebook - nada contra quem tem, mas não consigo ter, não consigo me vender dessa maneira. Mas hoje acho que tenho uma presença de web bem bacana, que tem me rendido boas amizades - o que ao fim e ao cabo é bem melhor que leitores (mas quero os leitores também, claro).

GeraldoTento atrair da maneira que dá. Redes sociais, palestras e eventuais entrevistas. Uma assessoria de imprensa seria ideal se houvesse alguma verdadeiramente especializada em escritores. No entanto, mesmo aquelas que se dizem voltadas às artes literárias, cobram muito caro de um indivíduo que muitas vezes não tem nem o que comer.


Como manter esses leitores? Como é a relação com o público?

Irilene: Sempre os atualizando sobre futuros projetos e estando disposto à ouvi-los.

Fábio: Pegando da resposta anterior: como eu falo demais nas redes (tem gente que já me deu o toque de que eu me exponho demais, e é verdade, mas esse sou eu), falo de literatura, sexualidade, política, o escambau, às vezes recebo críticas, mas tem muita gente que curte e dialoga. E são pessoas que acabam lendo o que publico. Tenho uma relação bem saudável com elas.

GeraldoÉ sempre bom mantê-los próximos. O leitor de hoje se interessa pelo autor, se interessa pelo seu processo criativo, quer se sentir participante da vida do escritor. Isso é gratificante para ambos os lados.


Que dica você daria para quem está começando?

Irilene: Não desistir. Pode ser difícil conseguir leitores no começo, mas a sua vez irá chegar.

Fábio: Primeiro, a dica que o Neil Gaiman dá a todos: sempre termine o que começou. E segundo, não desista com as rejeições ou críticas negativas. Continue escrevendo. E, acima de tudo, leia muito. Leia de tudo. Leia sempre.

GeraldoEscreva por amor à escrita sem esperar nada em troca. Jamais caia na ilusão de querer ser uma celebridade. Importe-se com os seus mundos. O resto virá como consequência, se vier.

Afinal, pra que escrever?

Irilene: Para desabafar, se expressar, se divertir... Os motivos são inumeráveis.

Fábio: Para espantar os demônios da nossa mente. Ou pelo menos tornar-se íntimo deles e saber conviver.

GeraldoPara expulsar os demônios da mente.


O que você já escreveu, e o que ainda deseja escrever?

Irilene: Eu tenho um livro lançado, Prosa do Sanatório - Pílulas Literárias de uma Mente Confusa, formado por pequenas crônicas que abordam a época em que eu estava com depressão. Agora pretendo ficar com os romances de ficção.

Fábio: Já publiquei: uma coletânea de contos (Interface com o Vampiro), um romance (Os Dias da Peste), uma série de contos soltos que ainda podem ser encontrados na web (este link contém o que saiu para Kindle: LINK). Além disso, tenho inéditos uma coletânea de contos (O Grande Concerto), um livro de microficções (O Pequeno Dicionário de Arquétipos de Massa) e um romance (Back in the USSR). Isso fora vários contos em antologias norte-americanas e britânicas, porque atualmente estou escrevendo quase que só em inglês. Ainda estou escrevendo uma série de contos em inglês e três romances em aberto, tudo para o mercado dos EUA. Até o fim do ano devo entregar o primeiro deles.

GeraldoEscrevi vários livros, alguns inéditos, na fila de espera para serem publicados. Também escrevo contos, sendo três deles premiados. Atualmente lancei o livro Geena:Eles voltaram. Trata-se de uma história bem interessante. O argumento é: O que aconteceria se a ressurreição fosse um fato? Que tipo de impacto social, político e psicológico este evento fenomênico provocaria? A partir daí, muita coisa acontece. O problema é que por detrás disto, há um personagem (protagonista), Rui Montenegro, um antropólogo, que passa a estudar o comportamento estranho dos ressuscitados. Para seu assombro, ele descobre que há um evento ainda maior que justifica a vinda destes revividos.


Se o mundo acabasse amanhã, qual seria sua ultima história?

Irilene: Ficariam várias histórias paradas pela metade.

Fábio: Um conto que estou escrevendo sobre resgate de viajantes do tempo. No espaço.

GeraldoSeria sobre um grande acontecimento no início do século 20 em Recife. O resto eu não posso falar. É segredo. Mas não vou esperar o mundo acabar para escrever a história.


Você tem outros projetos além da escrita, ou pretende ter?

Irilene: Sou uma pessoa que gosta de aprender coisas novas, experimentar coisas novas. Pretendo me aventurar no desenvolvimento de games e na produção cinematográfica.

Fábio: Tenho, mas não posso falar muito a respeito. Mas, acima de tudo, meu projeto principal é ter uma vida melhor e mais tranquila, justamente para que os escritos possam fluir em paz.

GeraldoNão. Só quero escrever. Já me arrisco nos roteiros de teatro e de curtas.


Quais outros escritores você indica?

Irilene: Não vou indicar alguém em especifico, mas pedir algo com muito carinho: dêem chances aos novos escritores da literatura brasileira. Não precisa abandonar suas leituras favoritas, apenas abrir um espacinho para quem está começando.

Fábio: No mercado de literatura fantástica lá fora: Nnedi Okorafor, Richard Kadrey, Kim Stanley Robinson, Nisi Shawl, Aliette de Bodard, Hannu Rajaniemi, Ann Leckie, Lavie Tidhar, Leena Krohn, Charlie Jane Anders, China Miéville, David Zindell, Anne Charnock, Tade Thompson, Cixin Liu, Ted Chiang, Ken Liu.
Aqui no Brasil, literatura fantástica ou não: Santiago Santos, Luiz Bras, Luis Biajoni, Micheliny Verunschk, Ronaldo Bressane, Ricardo Lísias, Márcia Denser. E os clássicos (mais antigos ou mais recentes), como Borges, Cortázar, Shakespeare, Bolaño, Piglia, Vila-Matas, Ishiguro, McEwan.

GeraldoRecomendo todos, especialmente os brasileiros contemporâneos que escrevem divinamente. Em particular Raimundo Carrero.


Por ultimo, Porque devemos ler você?

Irilene: Porque eu sou legal! Ok, piada ruim... Se você se interessa em uma leitura diferente, que faz você pensar e se identificar, dê um olá para mim.

Fábio: Já fui considerado um dos maiores escritores de ficção cientifica no Brasil, pelo menos na minha geração. Não concordo, mas sempre tentei estar à frente em termos de forma e conteúdo. Acho que vale a pena me ler, para saber se eu sou tão bom quanto já disseram.

GeraldoNão, ninguém deve me ler. Mas faço o convite ao leitor para ingressar no meu mundo. Se gostar, fique à vontade. Será uma tremenda aventura.


Muito obrigado. Até a próxima!

Irilene: Um grande abraço, pessoal!

Fábio: Eu é que agradeço.





DICA DE QUADRINHO | Arakawa Under The Bridge de Hikaru Nakamura


Como se ama alguém? O que é preciso para se estar feliz?
Apesar de ser um quadrinho com teor humorístico um tanto nonsense, Arakawa Under The Bridge também trás uma estória filosófica com várias nuances, detalhes e profundidade em seu enredo.

O mundo é imenso, eu e você somos apenas mais duas pessoas no meio de bilhares. Cada uma diferente da outra, com costumes, sanidades, motivações, anseios, aparências e condições diferentes. Do ponto de vista do protagonista, a trama nos leva a repensar nossos próprios preconceitos, critérios, julgamentos, e a forma como vemos o mundo, a vida, e as pessoas.
É uma história simples, contada de forma sutil, embora divertida e bem humorada, que nos mostra que estar bem não é estar financeiramente bem, como é enraizado em nossa mente ao crescermos numa cultura violentamente capitalista. Ser uma pessoa legal não é seguir os padrões morais e estéticos da sociedade contemporânea. Ser alguém não é ter dinheiro e status.

Somos todos pessoas diferentes, que sempre temos algo a aprender umas com as outras, vivenciando experiências, saindo de nossas bolhas, fazendo coisas diferentes. Podemos ser felizes e amar, mesmo sem ter nada, mesmo se morarmos embaixo de uma ponte.



Arakawa Under The Bridge acompanha o que acontece na vida de um jovem herdeiro de uma grande companhia, após conhecer outra jovem que mora embaixo de uma ponte sob o rio Arakawa (que fica no distrito de Arakawa em Tokio, Japão). Desde criança ele foi ensinado a nunca dever nada a ninguém, e ao se ver devendo a vida a misteriosa garota que mora embaixo da ponte, resolve retribuir com o que ela quiser e se livrar logo da dívida.
Se você puder, antes de ler o quadrinho, não confira outras resenhas nem sinopses do mangá, pois podem responder a uma questão que quero propor a você. O que imagina que ela pediu de favor ao rapaz cujo ela salvou a vida? O que ele pode oferecer? O que na vida realmente se vale uma vida?

Nessa engraçada e singela obra, Hikaru Nakamura nos mostra que, embora para se viver hoje em dia realmente se precise de algumas aquisições, o que é importante na vida não se pode comprar.





Arakawa Under The Bridge possui 15 volumes e foi publicado no Brasil pela Panini Comics. Possui também adaptações para série animada e filme, mas não conferi nenhum dos dois.








NOTA: 5 Unis





DICA MUSICAL | Sara Não Tem Nome - Ômega III


Músicas suaves, letras profundas e sutis. Não é um album para se deixar tocando e ir ouvindo, é um trabalho para se prestar atenção.
Bons jogos de palavras em metáforas, sentimentos, referências, indagações e muito a se apreciar. Ouvir ΩIII acaricia os ouvidos e anestesia a mente. É mais um entorpecente do que uma vitamina, mas faz bem da mesma forma.

Sara, que não tem nome, é uma artista que não se limita a arte por si só. Além de musicista, ela produz conteúdo visual, como fotografia, ilustração, pintura, vídeos, e performasses. Sua arte visual, assim como a sua música, é de certa forma poética, simples, também sutil, e algumas vezes um pouco nonsense.

Musicalmente, Sara flerta com o folk, a mpb, o indie rock, e toda uma vibe que varia a cada música. Essa musicalidade agradável unida as letras, me remeteu ao clima de ouvir e ler os livros da Patti Smith, que me trazem boas sensações com toda apreciável simplicidade, detalhes, profundidade, e uma atmosfera única, que ao mesmo tempo lembra algumas coisas, mas sem deixar de ser original e lindo.

Eu desejaria não falar muito e pedir que você ouça (e se puder, conta o que achou). E talvez, assim como eu, fiquem aguardando um próximo album depois de ouvir bastante e ter uma overdose de Ômega III.
Acompanhe o trabalho da Sara pelo facebook.


Ainda não ouviu o album? Ouve e depois conta pra gente o que achou.









NOTA: 5 Unis

MÚSICA | Descobertas do Mês: Novembro/2016

Lillian Lessa.

Esse mês passado não descobri tanta banda quanto nos dois meses anteriores que fiz lista, mas ainda deu uma quantidade legal para você descobrir coisa nova (segredo: eu nunca conto o número de bandas).

Click para ver as listas de:
Setembro
Outubro

E agora vamos a de novembro:



Ringo Deathstarr





Odina





Generationals





Depressica





Space Daze





Split Dream





La Luz





The Aquadolls





Wedding Ring Bells





BORNHOLM





Slow Hollows





Burning In Deception

Uma banda incrível cujo já falei sobre ela aqui.





Purson

Psicodelia contemporânea.





Warpaint





Drescher





Pense!

Banda excelente de hardcore que você precisa ouvir.





Tormmentha

Quando eu descobri tinha esse nome, agora se chama Teoria Do Fim.





TOYSHOP

Uma banda bem divertida e legal.





Mount Moriah





The Vernes





cat be damned





Terry vs. Tori





FRIGS





New Fries






Casper Skull





Stuck In The Sound





BOAT SHOW





Seapony





Comma Fera





Mood Dye





Lillian Lessa

Vocalista da Necro, Messias Elétrico (banda cujo já devo ter indicado em alguma lista por aí) e Lírios e Pedras. O trabalho solo dela em especial é ótimo!

MÚSICA | Descobertas do Mês: Outubro/2016


De volta com mais um mês de descobertas musicais. Uma lista rápida, sem muitas definições, só pra trocar informações de bandas que eu vou conhecendo mesmo. Aliás fique a vontade para indicar bandas ou músicos que você descobriu esse mês.
(Descobertas do mês passado)
Vamos lá.

CONTO | Uma Breve História de Amor

Imagem | Dylan Pierpont

Conheci Rosângela em um lindo e ensolarado leito de hospital. A luz da janela refletia em seu tio ali imóvel com papa escorrendo pela boca.

Seus olhos profundos e vermelhos fitavam meus ossos a mostra na perna que seria em breve amputada.

Não sei dizer ao certo se tivemos tempo de nos apaixonar. Ela vinha visitar o tio as vezes, que ficava no mesmo quarto que eu. Passávamos horas e horas em silêncio. Nem o tio dela falava nada, nem eu tinha coragem de dizer alguma coisa.

Passava aquelas horas de silêncio formulando conversas. O que eu poderia perguntar? Não tinha coragem nem de dizer bom dia.

E se ela perguntasse o que me aconteceu? Como eu ia dizer que bebi veneno, me arrependi, e um carro me atropelou no caminho do hospital? Seria interessante dizer que fiz endoscopia, e perder as duas pernas?

A oportunidade de conversa surgiu quando o tio dela começou a agonizar. Rosa tentou acionar o aparelho de chamar a enfermeira, mas não funcionava. Então eu disse "eu chamo pelo meu" e ela respondeu agradecendo.

Ela disse "obrigada". Mas o que eu poderia dizer em seguida? Logo a enfermeira apareceu e já perdi minha chance de conversa. Nunca mais terei outra.

A enfermeira se aproximou e arrancou seu nariz na mordida. Fiquei horrorizado e não entendi o motivo. Até que mais gente entrou no quarto, todos com os rostos desfigurados. Só então percebi que o rosto da enfermeira também estava em escárnio. E agora já devorava o rosto de Rosângela, que logo ficou igual a eles. Ela então, descontroladamente, devorou o próprio tio.

Eu presenciava tudo, apenas esperando a minha vez. Mas talvez minhas pernas escarnecidas tenham passado a impressão de que sou um deles. Então todos foram embora.

Estou aqui faz quatro dias. Não tem mais soro, nem água. Minhas pernas já apodrecem e logo irei morrer de fome, ou de doença.

Mas ao menos pude ouvir Rosângela me dizer algo antes de não poder dizer mais nada.


DICA MUSICAL | Burning In Deception - Madness Arises


Não, você não vai queimar em decepção. Lhe garanto que o album causa justamente o efeito contrário, que inclusive já na primeira faixa se nota. E mesmo sendo instrumental (a primeira faixa), já lhe deixa no clima para o que vem depois.

O Burning In Deception é uma banda com membros do Brasil, Itália e Grécia. Madness Arises é seu primeiro album, que embora contenha apenas seis faixas, já mostra à que a banda venho. O som mistura death metal, simphonic metal, gothic metal, e até um pouco de influência de power metal.

E embora seja um album de estreia de uma banda independente, a qualidade sonora é superior. Foi muito bem executado, gravado, mixado e desenvolvido.
O instrumental é sem dúvida o ponto forte do Madness Arises. Além das excelentes guitarras, que exploram bem as distorções, todo trabalho técnico de orquestração e teclado estão incríveis. Não é algo épico que geralmente se tenta fazer no simphonic metal, mas algo sutil, mais pro gothic metal, onde se encaixa na música e se tem um clima envolvente e soturno.
Os vocais também estão impecáveis. A voz de Ruan C.Elias alterna entre um vocal limpo meio power metal, meio progressivo, e um gutural bem maneiro.

É um album indispensável para os apreciadores de metal em si, não precisa necessariamente curtir death, gothic, ou simphonic. Se você gosta de um som pesado, vale a pena conferir.




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NOTA: 5 Unis